terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Noite, Chuva e Memórias

Essa era pra ter sido a noite mais ansiada dos dois últimos anos. E pela décima sexta vez você sabia que não aconteceria como outrora. A melodia do medo havia tomado conta de você, por completo, elemento por elemento; enquanto era tangível a lembrança de quando o sino da época do colegial começava a ecoar. Não que isso lhe causasse dor ou lhe envolvesse por puro embaraço, apenas não cabia a você entender porque aquela lembrança lhe parecia tão agradável. Ainda assim você soubera disfarçar, a agonia de jamais – em tempo algum – voltar atrás. Você ainda escutava vozes por de trás de ti, misturadas em cheiro, mochilas abertas, caminhadas acompanhadas de brisa e afagos. Você nesse momento podia sentir tudo isso de volta, mas não acompanhado dos mesmos olhares e indivíduos, somente com a melancolia que agora lhe faz melhor companhia. Então quando as primeiras gotas de chuva começaram a cair, enquanto se manifestava em ti a enlouquecida vontade de partir para longe da aflição e apenas permanecer quieto, você se atirou para fora de si. Havia decidido entre a antecipação e o medo caído na sua cama desarrumada, arrastado como uma coberta sob seu próprio corpo. E se indagando repetidas vezes se valia a pena esperar o próximo amanhã, ou a noite do próximo sábado. Limitando-se a pensar que toda sua felicidade poderia se consolidar novamente em apenas uma dessas noites não mais que almejadas, sendo que se assim, todo o resto de sua vida lhe teria sido até hoje completamente em vão.

Um comentário:

Eduardo disse...

primeiro a comentar *-*

como sempre seus textos, roubam a cena, de uma forma inexplicavel