terça-feira, 7 de abril de 2009

Algo entre nossos Olhares

Tenho algo preso à garganta, uma estremecida vontade de te dar a mão e te ajudar a levantar desse chão. Mas há algo que me impede de chegar próximo a você, e é algo não vem só de mim. É algo que se repousa sob seu olhar, ao menos quando eu os encaro é neles que vejo isto que falo. E isso é o que me distancia de você, essa sua ação, então mesmo que eu não perceba, me afastar é a minha reação. Não quero delirar por hoje, mas seus olhos não parecem mentir. Eles é que me aproximam, eles é que fogem de mim, então eu os procuro e quando os encontro, é neles que eu me perco. Mas então você parece ser outra pessoa, detentora de outro olhar. E isso me causa profunda confusão, se eu devo chegar ou se devo jamais tentar dizer algo que também me aprisiona. Eu vejo algo entre nós que se chama medo.

Eu não sei o que vai acontecer de agora pra frente, não sei se seria bom acontecer. Eu já esperei tanto, já até me decepcionei sem nunca termos trocado uma sequer palavra. A verdade é que eu não te conheço, nem um pouco. E esse meu desejo é formado por elementos que eu mesmo já conheço, como quando te vejo só, como quando te vejo distante e diferente das outras pessoas ao seu redor, e eu me pergunto se é certo eu te querer se nem o meu bem você pode querer. Mas é o risco, é a cerca. Basta apenas cada um de nós decidir quando pular para o melhor lado. Porque parece que continuamos entre tudo o que possa existir entre você e eu. E entre tudo é muito para agüentarmos por muito tempo. Seja o amor, seja a dor, seja lá o que for. E se eu tivesse coragem para chegar até você e você tivesse coragem para apenas escutar, eu fixaria meus olhos aos teus e indagaria em seu ouvido: Qual é o seu medo?

3 comentários:

Alice Daniel disse...

Um borbulhar de pensamentos e emoções confusas e conflitantes. O amor não se refaz assim. É preciso esquecer o medo e encarar a vida de frente.

Igor Lima disse...

De que forma você viveria?

Isabel Leon disse...

A paixão trás medo, o se entregar trás medo, e o medo faz a vida passar sem graça.
Muito bom!

Abraços
Isabel