sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Maio

Ninguém vai me levar para casa. Eu poderia partir sem ir a lugar algum. Mesmo não indo. Fechando meus olhos e caindo no sono, num sonho em que eu caio de braços abertos mesmo lembrando que aqui eu não poderia voar. Porque não posso voar, como disseram que ninguém poderia. Ainda assim eu sonho em poder cair, como se me fosse dado a chance de saber que a queda e o voo estão me esperando. Que pode haver uma coexistência. Embora não acreditem e eu apenas continuasse a cair.

No que me restava encontrar à frente, o compasso passava intempestivo. Passava-se pelos meses e parou-se em Maio. Se em poucos segundos atrás eu caía, em menos tempo ainda eu abrira os olhos. Enxergava a escuridão a minha volta como uma luz cintilante que me trouxera de volta a casa. Isso me fizera sentir a sinestesia que meu cerne descoberto tentava abrigar-se, embora eu pudesse continuar a por em exposição, dentro de mim eu gritava por um toque da minha resignação em seu primeiro nome, Queda.

Sobrevivi conseguindo sorver a doce sensação da queda sem sentir o velho frio na barriga que me sorvia. Eu estava lá, pronto para desacertar, sem nada em mãos, e os desacertos me esperavam prontos para me reparar daquilo que eu imaginava ser meu limite, o chão. Se meu voo fosse meu desencanto, da queda à Maio, estaria eu me oferecendo a acreditar nisso, embora eu já estivesse caindo, e apenas acreditando que ninguém poderia me levar para casa.

"Por algum tempo, eu transitei em estado de alerta. Eu pude ver que, diante de cada um de nós, em seus meus maiores desacertos, ante a expansão que nos faz crer que somos maiores do que somos, somos apenas sobreviventes do nosso próprio impedimento."

2 comentários:

Nilson Vellazquez disse...

A gente morre todo dia...

Silvana Nunes .'. disse...

Salve !
Navegando pela grande rede sem rumo com a intenção de divulgar o meu blog cheguei até você e gostei do que vi. No momento estou impedida de fazer leituras muito extensas, pois a claridade da telinha está prejudicando um pouco a minha visão, devo tomar um pouco mais de cuidado, mas em breve resolverei esse problema. Bem, já que estou aqui aproveito para convidar a conhecer
FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... em
http://www.silnunesprof.blogspot.com
Eu como professora e pesquisadora acredito num mundo melhor através do exercício da leitura, da reflexão e enquanto eu existir, vou lutar para que os meus ideiais não se percam. Pois o maior bem que podemos deixar para os nossos filhos é o afeto e uma boa educação. Isso faz com que ela acredite na própria capacidade, seja feliz e tenha um preparo melhor para lidar com as dificuldades da vida. Com amor, toda criança será confiante e segura como um rei, não se violentará para agradar os outros e será afinada com o próprio eixo. E se transformará num adulto bem resolvido, porque a lembrança da infância terá deixado nela a dimensão da importância que ela tem.
VAMOS TODOS JUNTOS PELA EDUCAÇÃO, NA LUTA POR UM MUNDO MELHOR !
Se achar a minha proposta coerente, siga-me nessa luta por um mundo melhor. Peço que ao responder deixar sempre o link do blog, pois vez por outra o comentário entra com o link desabilitado ou como anônimo. Por causa disso fico sem ter como responder as pessoas.Os meus comentários também entram via e-mail, pois nem sempre a minha conexão me permite abrir as páginas: moro dentro de um pedacinho da Mata Atlântica, creio que mais alto que as antenas, com isso a minha dificuldade de sinal do 3G. Espero queentenda quando não puder visitá-lo.
Daqui onde estou, os únicos sons que escuto aqui é o dos pássaros, grilos, micos., caipora, saci pererê, a pisadeira, matintapereira ... e outras personagens que vivem pela mata.
Por hoje fico por aqui, já escrevi demais. Espero nos tornarmos bons amigos.
Que a PAZ e o BEM te acompanhem sempre.
Saudações Florestais !
Silvana Nunes.'.